Matrizes na Luz

Você sabia que as éguas são poliéstricas sazonais de dias longos? Isso significa que elas apresentam vários ciclos consecutivos durante o período do ano de maior luminosidade diária e não ciclam quando a luminosidade diária é baixa – não sendo férteis o ano todo.

 

Seu crescimento folicular passa por diferentes fases ao longo do ano:

– Fase de anestro: de maio a agosto, caracterizada pelo crescimento folicular nulo;

– Fase de transição de primavera: de agosto a outubro, caracterizada pelo crescimento folicular sem ovulação;

– Fase cíclica: de outubro a março, caracterizada por ciclos regulares e férteis (estação de monta);

– Fase de transição de outono: de março a maio, caracterizado por crescimento folicular sem ovulação.

 

Essas alterações que acontecem no organismo da égua fazem com que ela esteja fértil e procrie na época com melhores condições de temperatura, luminosidade e disponibilidade de alimento. Essa característica é considerada uma defesa evolutiva da espécie para melhorar sua eficiência reprodutiva.

 

No entanto, com a domesticação dos equinos, bem como os meios que disponibilizam e armazenam os alimentos ao longo de todo o ano, fizeram com que estes processos naturais deixassem de ser necessários para a manutenção da espécie. Podemos citar, por exemplo, a raça Quarto de Milha, na qual o ano hípico começa no início de julho e é importante que ele antecipe a estação de monta para que as éguas fiquem gestantes a partir de agosto. Consequentemente, para potros começam a nascer a partir de julho, as matrizes precisam emprenhar num período em que naturalmente ainda não seriam férteis (junho a outubro).

 

Vários estudos foram realizados com o objetivo de antecipar a ciclicidade das éguas. Um dos métodos testados é o da luz artificial, que pode aplicada tanto às éguas doadoras e matrizes, quanto às receptoras, ou seja, em todas as éguas que serão usadas no programa reprodutivo. Essa luz indica para a égua que a taxa de luminosidade do dia está maior e, portanto, ela está no período propício para reprodução.

 

Esse tipo de tratamento tem uma data certa para ser iniciado. O indicado é que comece antes do dia 21 de junho e mantenha-se, em média, por de 6 a 12 semanas. Profissionais informam que, mesmo que uma égua ovule durante esse período, não se deve interromper o processo.

 

Este é um método eficaz para antecipar a ciclicidade de forma mais prática e objetiva. Portanto, é uma forma para se ter potros bem nascidos e, como consequência, com melhores condições para competir nas pistas.

 

Fonte: Cirurgia de Equinos / Msc Daniela Fernandez Montechiesi e Dra. Fernanda Saules Ignácio

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